Esteve na fundação da TVI, do CNL (hoje SIC-Notícias) e TV Amadora mas adquiriu competências profissionais na escola RTP ainda no tempo do filme. Adora cozinhar e aceitou partilhar connosco a receita que usa para pôr diariamente online a sua webTV. João Leal faz-nos uma visita guiada à TV Amadora.
- Que projeto de televisão é este?
É um projeto que começou em 2008. Fui convidado pelo meu amigo Rui Mesquita para fazermos uma WebTV na Amadora. Para mim, a Amadora não era grande referência como terra mas aceitei dar-lhe uma ajuda. Comecei então a descobrir a Amadora. Afinal esta cidade é um mundo que não para. É uma terra rica em eventos nas áreas do desporto, educação, cultura… é uma coisa espetacular. Então aquilo que era uma brincadeira, para ajudá o meu amigo, tornou-se num projeto que já dura há quatro anos. Temos um posicionamento muito bem definido. A TVI a SIC e a RTP dão notícias do bairro de Santa Filomena, da Cova da Moura, os tiros, os polícias, os mortos, os feridos, nós mostramos o que de melhor se faz na Amadora.
- Mas se houver esses acontecimentos vocês também fazem a cobertura…
Não, ignoramos. Nós até temos acesso direto a essas notícias, através da polícia, mas não vamos. Essas notícias deixamo-las para os canais nacionais porque não nos interessam.
- A TV Amadora é feita por profissionais?
Essa é uma questão que muita gente coloca… A TV Amadora é feita por profissionais, sim! Eu sou repórter de imagem que trabalho há 30 anos em televisão, temos uma jornalista credenciada que também trabalha connosco e depois oferecemos estágios curriculares a jornalistas estagiários da Escola Superior de Comunicação.
- Qual a tua função?
A minha função é dar formação ENG e de jornalismo no terreno a estagiários que por aqui passam.
- Que competências são necessárias para trabalhar como repórter de imagem na TV Amadora?
Na TV Amadora, o repórter de imagem tem a função de filmar, entrevistar, escrever, editar… deve saber um pouco de tudo e ser autossuficiente na produção de uma notícia, se for necessário.
- Conheces bem as redações das televisões clássicas. É diferente trabalhar na redação de uma webTV?
Primeiro, a nossa redação é incomparavelmente muito mais pequena… Depois, e já tivemos uma redação com quase 20 pessoas a trabalhar ao mesmo tempo, no princípio é tudo muito bonito, respeitam a chefia mas depois as semelhanças começam a surgir porque também aqui, há uma competição muito grande entre as pessoas.
- Como vês a carreira de repórter de imagem, comparativamente com a altura em que te iniciaste na profissão?
Vejo que hoje em dia o repórter de imagem é mais mal pago, não tem estatuto social, existe menos respeito, as pessoas são humanamente mais mal formadas embora possam ter mais competências técnicas. Aliás, é curioso notar que estas competências parece que se estão a perder nas televisões nacionais, talvez devido aos modelos de produção que esses canais adotaram.
- Achas que as webTV vieram abrir um pouco o mercado de trabalho a novos profissionais ou o trabalho e as condições que oferecem são, de um modo geral, muito precários?
A nível de repórteres de imagem, acho que as webTV vieram dar a oportunidade às pessoas de mostrarem o seu trabalho. Há muitos repórteres de imagem novos que, realmente, têm valor mas precisam de uma oportunidade para evoluírem profissionalmente e nós, na TV Amadora damos formação às pessoas, mesmo que já tenham alguma experiência de captação de imagem. A TV Amadora orgulha-se de contemplar essa vertente formativa, coisa rara no panorama das webTV’s portuguesas.
- Quantos repórteres de imagem trabalham na TV Amadora?
Neste momento, somos três.
- Tens algum episódio, sério ou caricato, que gostarias de contar ou que contas habitualmente quando estás num grupo de amigos?
Bom, em setembro festeja-se o dia do Alentejo e os alentejanos residentes no concelho da Amadora vão à Câmara cumprimentar o presidente e depois seguem a pé até ao Parque Aventura, um parque de lazer enorme que existe na sede do concelho. O ano passado, marcaram o evento para as 15:30 horas e, naquele passo rapidíssimo que carateriza qualquer bom alentejano, chegaram ao parque duas horas e meia depois.
- E qual é a distância entre a Câmara e o parque?
É uma distância de 300 ou 400 metros! Eu apanhei um escaldão de todo o tamanho nesse dia, há espera que eles chegassem ao parque!…
- Qual foi a tua melhor experiência profissional, lembras-te.
Foram tantas… Mas lembro-me de um programa para a RTP2 apresentado pelo Luís Pires e que tratava de casos de polícia onde vivi situações muito complicadas que tive de resolver na altura… outro programa que gostei de fazer foi o País País, tinha coisas muito giras.
- Que dirias a um jovem que sonha abraçar a profissão de repórter de imagem?…
Eu diria aquilo que digo a toda a gente: querem ser, sejam! Estudem, leiam, vejam muita televisão, muita informação e sobretudo, olhos e ouvidos bem abertos. Vejam uma coisa bonita por dia! A vossa câmara são os vossos olhos!
- Conheces o Prémio Repórter ENG? O que é que achas da ideia?
Acho muito interessante. A ideia é genial, finalmente estão a dar-nos voz e acho muito importante a existência deste blogue. Acho ótimo saber o excelente trabalho que sa faz em televisão e que muitas pessoas associam apenas ao jornalista que dá a voz e por vezes a cara.
Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico – convertido pelo Lince.








