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O homem do golfe

Publicado em 01 Junho 2012 por admin

Luis Pinto no rio Niger: "Reportagens que me marcaram? São tantas! Todas tão diferentes, mas todas com tanto ensinamento."

Concretiza todos os dias o seu sonho de criança e é feliz por isso. Não sabe se deve alguma coisa à sorte, aos conhecimentos, à vontade ou ao talento mas afirma que sempre lutou por tudo o que tem. Para ele, os obstáculos são um desafio permanente que supera com a energia enorme que o anima. Não gosta de caminhos fáceis porque não lhe “dão luta”. Luís Pinto, 48 ano, é repórter de imagem SIC e o nosso convidado de hoje.

- Que escola é a tua? Como entraste para esta profissão?

A minha Escola foi sem dúvida a RTP por tudo o que me deu a aprender e a conhecer, na altura com 21 anos, com o sangue na guelra e com a irreverência da idade. Tenho de agradecer a todos os colegas com quem trabalhei na 5 de Outubro (antigo Centro de Emissão da RTP) e ainda aos Câmaras de Produção do Lumiar, mesmo tendo sido por um período curto. Mas nunca esquecerei o meu Mestre e Amigo José Lérias por tudo o que me ensinou no oficio e que me deixou marcas as suas marcas para toda vida, nunca o esquecerei.

Voltando um pouco atrás, eu tinha saído da tropa e decidi não mais estudar Arquitetura. Queria trabalhar em fotografia primeiro, fazendo vários cursos e workshop, até que um dia vi no Expresso a abertura de concurso para Operadores de Televisão. Et voilá! Testes, curso…  e fui colocado na videotape do Centro de Emissão. Após uma greve de trabalhadores, e tendo entrado em litígio com a Chefia, peço transferência para os Câmaras de Produção. Daí a minha pergunta: Sorte? Conhecimentos? Desejo? Talento? Estava traçado o meu caminho!

- Como foi a tua experiência de pioneiro SIC? O que é que recordas com mais vivacidade desses tempos?

A primeira vez que recebi o convite para trabalhar numa televisão do Dr. Balsemão, foi pela mão do Silveirinha, que trabalhava na produção de programas da RTP e eu na emissão.

Com tudo isto passaram 2 anos e já a Maria João, minha mulher, na altura estava contratada pela SIC (fomos o primeiro casal a trabalhar juntos na SIC) quando o Guilherme Lima me telefona e me faz o convite. Propõem-me ir trabalhar como Repórter de Imagem, setor em que nunca tinha trabalhado, mas com uma condição: tinha 24 horas para decidir. O mesmo aconteceu com o Jorge Ramalho: 24 horas para dar um salto enorme de vida! Hoje digo… hum… que aventura! Aqui só mesmo a força de grande lutador que é o meu pai, me ajudou a decidir. Ele estava de férias e ao telefone disse- me: “se acreditas no projeto, não olhes para trás, não hesites, senão não o conseguirás.”

Depois de mais uns telefonemas para o Jorge Ramalho, lá estava eu na SIC. Recordo-me que dos treze elementos que faziam parte do meu curso de formação da RTP, dez foram convidados a trabalhar na SIC. Sem experiência, mas com um mês para me familiarizar com esta nova e sonhada função. Foram uns anos de loucura e de aprendizagem, não acredito que possa passar novamente por tanta emoção e alegria.

- Na tua opinião, as TVs de notícias que surgiram em Portugal vieram acrescentar alguma coisa ao jornalismo televisivo?

O nascimento dos Canais de Informação foi o expoente máximo na forma de fazer noticias. Como encher um canal com informação? Será que há noticias que cheguem? Como? Mas eles aí estão, uns melhores outros piores, mas eles aí estão.

- Que é feito do “espírito de equipa” em reportagem?

Nós repórteres sempre fomos e seremos o elo mais unido no terreno, apesar de disputarmos as mesmas posições. Claro que não delatamos a nossa forma de contar a noticia, mas quem me conhece sabe que ajudo todos os meus camaradas, claro está. Mas “não me lixem”! (risos)

- Pessoalmente, sentes-te melhor a fazer grande reportagem, documentário ou preferes a imprevisibilidade das notícias diárias?

João, não tenho preferências, desde o nascer de uma criança, à discussão de varinas, a um funeral gosto de fazer tudo, desde que tenha uma só intenção: informar. Detesto informação de choradinho e de encher jornais, adoro todo o desporto mas detesto o ambiente junto das conferências de imprensa desportivas e os fanatismos. Como sabes, devido à partilha de Coordenação dos Ris da Sic, tenho menos tempo para andar na rua, por isso tento sempre fazer uma Grande Reportagem no período em que não estou a coordenar, para matar saudades.

- Dá-me três boas razões para continuares a ser repórter de imagem.

Apesar das mazelas que todos nós temos na coluna e que não são consideradas doença profissional (apesar de todos os políticos que acompanhamos, desde Presidentes, Primeiros Ministros, Ministros da Saúde, etc, dizerem em campanha “que trabalho tão duro, vocês devem sofrer das costas!”), as razões de continuar nesta profissão são, para mim, o querer saber mais, informar mais e comunicar todos os dias com tanta e tão boa gente.

- Fala-nos de uma reportagem que guardas na memória.

Reportagens que me marcaram…são tantas…todas tão diferentes, mas todas com tanto ensinamento. Não tenho coragem de deixar nenhuma para trás. Posso falar-te de uma última que fiz, à coisa de um mês, sobre Tecido Económico, na qual descobri o quanto é bom captar as coisas positivas deste nosso país. Quando parti para esta reportagem pensava que este nosso Portugalito era uma miséria de povo, de produtividade, de vontade. Mas não. Foi tão bom descobrir que estava enganado! Nesta a reportagem que eu fiz com a Fernanda Oliveira Ribeiro, conseguimos trazer noticia, esperança e força a quem a viu. É tão bom ser positivo!

É tão bom conseguir a confiança das pessoas que acreditam no nosso trabalho, que nos deixam entrar de uma forma honesta na parte mais íntima das suas vidas, que nos deixam acompanhar o crescimento de um feto até a uma indesejada cesariana, como aconteceu na reportagem que fiz com o Pedro Coelho! (Ver vídeo abaixo)

São tão cheios os dias de acompanhamento de uma Campanha Eleitoral…

É tudo tão bom, mas acaba depressa. Depois de sair do ar… acabou!

- Já alguma vez fizeste uma reportagem sobre golfe?…

O golfe, ou “a golfa”, como diz a minha mulher, “é a sua maior inimiga” pois rouba-me algum tempo à família. Mas é o meu escape, a minha purificação mental, o meu desporto de eleição. Tento jogar todas as semanas, enervar-me com aquela pequena bola… Respondendo à pergunta, o golfe é para eu jogar, não para trabalhar. Convido-te a uma volta num belo campo de golfe. Não esquecerás!

Raquel nasceu de cesariana no Hospital de Abrantes.

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